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Distúrbios mentais e da conduta. Parte III| Conduta suicida e a sua influência na condução.

A conduta suicida compreende tanto o suicídio consumado como a tentativa de suicídio. 20% dos indivíduos com tentativa de suicídio repetem a tentativa ao fim de 1 ano, e 10% finalmente conseguem levá-lo a cabo.

Em Espanha realizam-se 10,7 suicídios consumados por ano por cada 100 000 habitantes, e por trás de cada suicídio há, pelo menos, nove casos de tentativa.

Espanha é um dos países europeus com a taxa de suicídio mais baixa, com cerca de 4500 suicídios anuais.

As estatísticas subestimam a incidência real, ainda assim, o suicídio encontra-se entre as 10 primeiras causas de morte nos adultos nas cidades.

Representam cerca de 10% das mortes entre os 25-34 anos e 30% das mortes entre estudantes universitários. É a segunda causa de morte entre adolescentes.

Mais de 70% dos suicídios consumados são realizados por pessoas com mais de 40 anos, e a incidência aumenta bruscamente acima dos 60 anos, sobretudo nos homens.

Cerca de 65% das tentativas de suicídio são realizadas por pessoas com menos de 40 anos, e são mais frequentes em mulheres e em homens solteiros com trinta anos. Os homens têm mais êxito nas tentativas de suicídio.

Os médicos de clínica geral controlam 80% dos pacientes com distúrbios psiquiátricos ou do comportamento, e apenas os quadros psicológicos de maior complexidade ou risco são encaminhados para o especialista.

O diagnóstico precoce melhora, em mais de 90%, os processos psiquiátricos de comportamento suicida.

A conduta destrutiva directa habitualmente inclui pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e suicídios consumados.

A conduta autodestrutiva indirecta caracteriza-se por empreender riscos que põem em perigo a vida sem intenção de morrer, regra geral, repetidos e, frequentemente, inconscientes, de forma que as consequências podem destruir o indivíduo.

Esta última conduta pode ser observada com o consumo excessivo de álcool, medicamentos, tabaco, alimentos, auto-mutilação, adição às intervenções cirúrgicas, conduta criminosa e comportamento perigosos no trânsito, incluindo os condutores suicidas.

O consumo de medicamentos é o método mais comum de tentativa de suicídio aumentando o emprego de fármacos psicotrópicos para esse fim. Por vezes, são combinados, procurando interacções graves.

Quantos falecidos por acidente de viação são na verdade suicídios? A perda voluntária do controlo do veículo resultando em morte pode ser frequente.

  • Etiologia:
  • Os factores causais principais do suicídio compreendem distúrbios mentais como depressão e esquizofrenia, factores sociais de desilusão e perda, personalidades anormais com impulsividade e agressão, e doenças físicas.

    O álcool predispõe a actos suicidas ao agravar a intensidade de toda a oscilação depressiva e diminuir o autocontrolo. Cerca de 30% dos pacientes que tentam o suicídio consumiram álcool antes do acto e metade destes encontrava-se embriagada.

    Os pacientes com doença cerebral orgânica, demência ou epilepsia sofrem com frequência episódios breves, mas profundos, de depressão que, aliados ao fácil acesso a medicamentos, implicam um maior risco para a conduta suicida.

    Os pacientes com distúrbio da personalidade, sobretudo emocionalmente imaturos com psicopatia, que toleram pouco a frustração e reagem com violência e agressão, desenvolvem com mais facilidade condutas suicidas associadas amiúde, ao consumo de drogas e álcool.

    O alcoolismo secundário e o abuso de sedativos hipnóticos, assim como o excesso de estimulantes ou cocaína como auto-tratamento nos distúrbios do humor não reconhecidos favorecem o suicídio em certas situações clínicas.

    O suicídio causa cerca de15% das mortes nos distúrbios do humor não tratados, e tende a ocorrer aos 4-5 anos após o primeiro episódio clínico.

    A fase de recuperação da depressão, quando a actividade psicomotora está a voltar ao normal, mas o humor se mantém sombrio, constitui o período de maior risco.

    Algumas pessoas instáveis encontram excitação em actividades perigosas, como a conduta temerária ao volante.

Conselhos sobre a conduta suicida.

É importante que os médicos identifiquem a pessoa potencialmente suicida, desaconselhem a condução perante tal suspeita, e tratem os factores associados como alcoolismo, depressão, epilepsia e demência.

Mais de metade dos suicidas consultaram o seu médico nos meses prévios, e cerca de 20% tiveram assistência psiquiátrica durante o ano precedente.

Os pacientes com pensamentos suicidas não podem conduzir.

Quando se desaconselha a condução a um paciente com ideias suicidas, a sua família directa deverá ser avisada, já que nestes momentos o doente não é responsável pelos seus actos.

Se for necessário o veículo será ocultado, até que o tratamento da doença associada consiga fazer desaparecer a possível conduta suicida.

Suspeita-se que a depressão não reconhecida ou tratada de forma desadequada contribua para 70% dos suicídios consumados, pelo que o médico deverá estar alerta para reconhecer o condutor de risco. A sua acção precoce através de recomendações, acompanhamento e tratamento irá diminuir as tentativas de suicídio.

É possível a associação entre acidentes de trânsito e suicídio nos condutores de risco que decidem utilizar o seu veículo como arma letal.

Os acidentes de trânsito que envolvem condutores com conduta suicida e cujo resultado não seja a morte, devem investigar e se ficar demonstrado que o referido condutor coloca em risco a sua vida e a dos outros, deverá afastar-se do trânsito tanto quanto condutor como quanto peão.

Para o conseguir, deverá desenvolver estratégias de controlo e acompanhamento dos condutores e peões de risco devido à conduta suicida, para evitar que ponham em perigo a vida de todos.

A avaliação psiquiátrica que se costuma realizar imediatamente depois da tentativa de suicídio deverá incluir os condutores implicados em acidentes de trânsito e suspeitos de conduta suicida.

A tentativa de suicídio deve ser levada a sério e impede a condução pelas possíveis consequências devastadoras.

O médico deverá ser atencioso com o doente e mostrar claramente preocupação e compromisso, assim como compreensão pelos sentimentos profundos do paciente que o levaram à tentativa de suicídio.

Como em qualquer outro tipo de emergência, é melhor contactar o número de emergência local 112 e não se deve deixar a pessoa sozinha, nem conduzir, embora se tenha entrado em contacto com um profissional adequado.

Seria conveniente que todas as pessoas que pedem ajuda por tentativa de suicídio sejam desaconselhadas de forma cuidadosa a não conduzir, entre as outras recomendações específicas de cada caso.

O auxílio do médico prestado aos pacientes com conduta suicida conseguirá diminuir os acidentes de trânsito por suicídio consumado ou tentativa de suicídio, melhorando também a segurança dos demais no trânsito.

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