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Otorrinolaringología. Parte I| Hipoacusia aguda, doença de Meniere, labirintose, traumatismos do ouvido, otalgia e a sua interferência na condução

Hipoacusia aguda.

É um sintoma que pode obedecer a causas extremamente diversas. As mais frequentes são uma síndrome de insuficiência vascular periférica, um quadro gripal ou viral prévio e a predisposição familiar.

Trata-se de um quadro clínico extremamente frequente e é uma urgência médica genuína.

A hipoacusia de percepção brusca pode surgir em qualquer altura do dia, com afectação total e quase sempre unilateral ou parcial.

Pode ser acompanhada de zumbido intenso contínuo, ou moderado noutros casos, e são raras as vertigens e a instabilidade.

É frequente estar associada a fenómenos psíquicos e gerais de ansiedade, depressão, stress, desgostos, etc.

Doença de Ménière.

É causada pelo surgimento de crise de hipertensão do líquido endolinfático.

As alterações da audição e do equilíbrio correspondem ao distúrbio dos mecanismos que regulam a tensão dos líquidos labirínticos, por múltiplas causas que favorecem o fenómeno local.

A sintomatologia dá-se por crise que associa zumbidos, geralmente agudos (zumbidos), hipoacusia de percepção de intensidade variável e as vertigens sistematizadas e de tipo periférico.

Podem existir sintomas associados como náuseas, vómitos, cefaleias temporo-parietais, sensações de calor, sudação, etc.

Labirintose.

Trata-se de uma alteração não-inflamatória e atraumática, causada por degeneração progressiva das células sensoriais do labirinto.

É causada por intoxicação profissional ou medicamentosa como os antibióticos aminoglicósidos, ou de causa endógena por hipercolesterolémia, uremia, gota, etc.

Podem ser hereditárias, auto-imunes ou provocadas por um envelhecimento prematuro do organismo.

É muito frequente que esta patologia se dê por traumatismo sonoro devido ao excesso de ruído no trabalho.

O doente pode apresentar acufenos e, excepcionalmente, vertigens. Muitas vezes existe apenas uma hipoacusia progressiva bilateral de percepção por lesão do ouvido interno.

Traumatismos do ouvido médio e do ouvido interno.

  • Traumatismo sonoro (a já comentada labirintose).
  • Lesões auriculares por variações de pressão:

    Podem surgir em aviadores, pára-quedistas, escafandristas, trabalhadores em campanhas de pressão e explosões ou contusões.

    A sintomatologia caracteriza-se por vertigens, desequilíbrio, acufenos agudos e hipoacusia brusca de percepção, com alguma participação da transmissão por edema do ouvido médio.

  • Fracturas do rochedo:

    Surgem com hipoacusia de transmissão, e parcial ou total de percepção, paralisia facial, possíveis vertigens, náuseas e vómitos, etc.

  • Comoção labiríntica:



    Causada por todos os traumatismos do conteúdo das cavidades do ouvido interno, com ou sem fractura.

    Na comoção labiríntica verdadeira aparecem vertigens de tipo periférico, nistagmo de posição e hipoacusia de percepção.

    Na comoção cerebral com alterações vestibulares, o desequilíbrio é mais importante que as vertigens.

Otalgia.

Não existe lesão no ouvido e dá-se por dores reflexas a partir de lesões dentárias, faríngeas, linguais, laríngeas e parotidianas. Também por dores nevrálgicas.

Causa irritação, cansaço e incómodo para a condução.

Conselhos sobre Hipoacusia aguda

O doente deve ser tratado o quanto antes num serviço de urgências, para o qual não se pode dirigir a conduzir. O médico irá avisá-lo de sucessivas recidivas se o quadro se repetir.

Da mesma forma, não se pode conduzir até à resolução completa do quadro clínico e, se o doente apresentar sequelas, é necessário avaliar a sua capacidade para a condução e informar sobre a mesma.

Conselhos sobre Doença de Ménière

A ordem de surgimento dos sintomas é variável, dando lugar a diferentes formas clínicas mas que, em todos os casos, incapacitam a condução.

A possível sequela de hipoacusia causada a longo prazo pela doença implica a avaliação frequente da capacidade auditiva para permitir a obtenção ou renovação da carta de condução nos termos indicados pela legislação.

Conselhos sobre Labirintose.

Nas empresas, os médicos devem vigiar e proteger as pessoas que trabalham em ambientes ruidosos que os leva a perder a audição, aumentando, por este motivo, o risco da condução "in itínere".

Do mesmo modo, os trabalhadores que desenvolvem o seu trabalho em obras ruidosas, a conduzirem veículos especiais, também eles geradores de vibrações e ruído específico, que se acrescentam ao ruído exterior, correm mais riscos de provocarem acidentes "em missão".

Nos locais de trabalho, os médicos têm de lutar por conseguirem ambientes sem ruído. Se tal não for possível, devemos proteger e isolar do ruído os trabalhadores mais vulneráveis, explicando as razões e agindo para consegui-lo. Por exemplo, insistindo na insonorização das cabinas de camiões e autocarros.

O doente pode apresentar acufenos e, excepcionalmente, vertigens ainda que, muitas vezes, apenas se verifique a presença de hipoacusia progressiva bilateral de percepção por lesão do ouvido interno. Nos termos indicados pela legislação, é obrigatória uma avaliação repetida da capacidade auditiva para a obtenção ou renovação da carta de condução.

Conselhos sobre Traumatismos do ouvido médio e do ouvido interno

Durante o tratamento médico e até à resolução do quadro clínico, não se pode conduzir.

Conselhos sobre Fracturas do rochedo

São processos que incapacitam a condução até à sua resolução por tratamento médico ou cirúrgico.

As suas sequelas podem ser importantes e implicam avaliação para permitir a condução.

Conselhos sobre Comoção labiríntica

Tem uma recuperação extremamente longa, o que faz com que o ouvido debilitado tenha de ser avaliado ao longo do tempo para confirmar a sua capacidade adequada em termos de condução.

Conselhos sobre Otalgia

É aconselhável avaliar o risco de condução nestes casos e avisar o doente.

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