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Sistema locomotor. Parte III | Torcicolo espasmódico e dor no pescoço, ombro e membros superiores e a sua repercussão ao volante.
Em muitos doentes, a condução pode estar limitada pela dor, deformidades, dificuldade nos movimentos, perda de força, enjoos, instabilidade ou presença de movimentos anormais, que aumentam o risco de acidente no caso de não serem adequadamente avisados e aconselhados.

A esta situação junta-se no condutor doente a componente de ansiedade e depressão associada, bem como os efeitos secundários causados pela medicação.

Torcicolo espasmódico.

São espasmos dos músculos do pescoço que provocam inclinação lateral, anterior ou posterior da cabeça, ou rotação da mesma, e podem surgir de forma súbita ou, mais frequentemente, gradual.

O torcicolo espasmódico do adulto é visto como uma distonia focal, na qual intervêm vários processos como discinesias tardias, hipertiroidismo, patologias do sistema nervoso central, tumores ósseos e das partes moles e, em alguns casos, factores hereditários. Está, por vezes, relacionado com o stress.

São espasmos dolorosos unilaterais, intermitentes ou contínuos do esternocleidomastóideo, trapézio e outros músculos do pescoço.

A doença pode variar desde um distúrbio ligeiro a casos de tratamento extremamente difícil e progride lentamente durante 1-5 anos, acabando por estabilizar. Numa percentagem pequena de doentes, dá-se uma recuperação espontânea antes de decorrerem cinco anos desde o início.

Além do tratamento ortopédico, os medicamentos mais utilizados são os anticolinérgicos, benzodiazepinas e, menos, os relaxantes musculares e os antidepressivos tricíclicos.

Dor no pescoço, ombro e membros superiores.

Estas zonas são extremamente móveis e participam continuamente em movimentos que são habitualmente acompanhados por carga ou emprego de muita força.

As partes moles estão comprimidas e ajustadas nos seus compartimentos, o que aumenta a susceptibilidade ao stress.

A dor nestas regiões é frequente e pode ser causada por um único processo patológico ou a soma de vários.

Entre os sintomas podemos também destacar as parestesias, a fraqueza muscular e a diminuição de sensibilidade e reflexos.

Os processos mais ligados a esta disfunção muscular sintomática são os inflamatórios, degenerativos e de tensão mecânica como sinovite, artrite do pescoço, ombro e acromioclavicular.

Também bursite como a subacromial, tendinite como a epicondilite do cotovelo ou a síndrome do supra-espinhoso, capsulite, fibromialgia e distúrbios vasculares.

Do mesmo modo, processos neurológicos com origem na medula espinal, raízes nervosas ou nervos periféricos, por hérnia de disco intervertebral cervical, espondilose cervical, etc.

Algumas doenças do tórax e do abdómen podem causar dor referente nestas zonas.

Em certas alturas, a artrose da coluna cervical causa devido aos osteófitos, um compromisso funcional das artérias vertebrais, juntando os enjoos aos sintomas anteriores.

Conselhos sobre Torcicolo espasmódico.

O torcicolo espasmódico que causa limitação do movimento e deformidade postural incapacita para a condução.

Os medicamentos utilizados no seu tratamento têm efeitos secundários que interferem com a condução e devemos avisar os nossos doentes sobre este ponto.

É necessário tratar a doença associada para ser possível conduzir.

Se o doente estiver a passar por um período de ansiedade ou stress, os sintomas acentuam-se e o controlo do veículo diminui.

O médico deve avisar o doente que, apesar de ter melhorado da sintomatologia e já poder conduzir, o tratamento de manutenção pode causar-lhe efeitos secundários importantes e perigosos que podem atrasar o início da condução, até que as doses diminuam ou o tratamento seja retirado.

Enquanto o doente estiver sintomático, não pode conduzir.

A dor e a limitação do movimento farão com que o médico possa desaconselhar a condução.

No caso de ser necessário um tratamento cirúrgico, não se poderá conduzir até à recuperação completa sem sintomas, com autorização e relatório do médico especialista..

Conselhos sobre Dor no pescoço, ombro e membros superiores.

Enquanto tiver dor, perda de força e alterações sensitivas, o doente não pode conduzir.

A rigidez articular impede muitos movimentos necessários para a condução, que impedem uma resposta rápida nos comandos do veículo diante de um imprevisto na estrada.

O veículo deve ter um assento alto, cómodo, com as costas direitas e um bom apoio do assento da cabeça.

Deve ser possível ajustar a distância ao volante, assim como os espelhos retrovisores, para evitar os movimentos forçados do ombro e do pescoço.

A dor e as limitações neurológicas ou dos movimentos farão com que o médico possa desaconselhar a condução.

Não se pode conduzir com enjoos ou vertigens.

Os medicamentos utilizados no tratamento sintomático destes quadros clínicos têm com frequência um efeito sedativo, como é o caso das benzodiazepinas e dos tranquilizantes fortes.

O médico deve avisar o doente que, apesar de ter melhorado da sintomatologia e já poder conduzir, o tratamento de manutenção pode causar-lhe efeitos secundários importantes e perigosos que podem atrasar o início da condução, até que as doses diminuam ou o tratamento seja retirado.

A descompressão cirúrgica implica um período posterior de recuperação funcional, durante o qual não é possível conduzir enquanto o especialista não fornecer uma indicação em contrário.

Enquanto o doente estiver sintomático, não pode conduzir.

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