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Vômitos, corpos estranhos e sua interferência na condução

Vômitos

Via de regra, os vômitos são antecedidos por náuseas e estão associados a palidez, sudação, taquicardia, pele fria e mal-estar geral.

Os vômitos podem ser causados por qualquer processo digestivo de tipo inflamatório, neoplásico ou pós-cirúrgico, que obstrua o aparelho digestivo superior.

Do mesmo modo, qualquer distúrbio relacionado com o ácido, ou com alterações do controle nervoso da motilidade digestiva secundárias a icto, epilepsia e enxaquecas.

Os vômitos podem ser causados por insuficiência renal, diabetes, insuficiência suprarrenal e alguns distúrbios psiquiátricos, entre os quais bulimia e anorexia nervosa.

O tratamento, além de ser causal, baseia-se no alívio sintomático do paciente para evitar que vomite, pela prescrição de medicamentos propulsivos como metoclopramida e cleboprida.

Durante o tratamento com metoclopramida, é necessário evitar situações que exijam um estado especial de alerta, como a condução de veículos, dado que este medicamento pode causar sonolência ou sedação.

Também a metoclopramida aumenta os efeitos da fenotiazina e outros antidopaminérgicos no sistema nervoso central. Sua administração, juntamente com tranquilizantes, hipnóticos e narcóticos, potencia os efeitos sedativos.

Outros medicamentos utilizados, como antieméticos, são os antagonistas da serotonina (5HT3), como o ondansetron. Utiliza-se com mais frequência nos vômitos induzidos por quimioterapia e radioterapia citotóxicas. Não afeta as funções motoras nem causa sedação.

Corpos estranhos

Em certos casos, os motoristas mastigam ou chupam objetos de tamanho pequeno como palitos, tampas de canetas, moedas, etc., enquanto dirigem.

Trata-se de um mau hábito porque podem engoli-los de forma acidental, originando uma verdadeira urgência respiratória por aspiração ou digestiva com espasmos esofágicos, dor e até obstrução da cárdia.

Os objetos pontiagudos devem, se for possível, ser extraídos, mas os pequenos e arredondados podem ser mantidos sob vigilância até sua expulsão definitiva.


Conselhos sobre Vómitos

O motorista que constata um mal-estar digestivo, com náuseas e vontade de vomitar, deve estacionar o veículo, se possível numa área segura, e fazer isso.

Os vômitos episódicos que impedem a entrada de substâncias nocivas no intestino são considerados fisiológicos e protetores. Neste caso, o motorista se recupera totalmente do seu mal-estar digestivo no espaço de alguns minutos e pode voltar a dirigir.

Se, depois de vomitar, o paciente não ficar totalmente bem, ele deve pedir ajuda e não forçar a condução.

Os restantes vômitos repetitivos, relacionados ou não com este mecanismo, devem ser considerados patológicos e, além disso, incapacitam completamente para a condução.

O motorista que vomita enquanto dirige deve ser aconselhado a manter a tranquilidade, a não fazer movimentos bruscos com o veículo, a estacioná-lo logo que possível numa área que não interfira no trânsito e a pedir ajuda. Pode acontecer a qualquer um de nós.

O paciente deve ser avisado do efeito sedativo da maioria dos medicamentos propulsivos que são vendidos livremente nas farmácias.

Normalmente, os propulsivos são comercializados sob a forma de xarope. Muitos pacientes têm o mau hábito de beber diretamente um gole da embalagem, sem precisão da dose. Isto é incorreto, dado que multiplica os efeitos colaterais da sedação.

Conselhos sobre corpos estranhos

A situação de estrangulamento é angustiante e provoca uma perda completa do controle do veículo.

Com um corpo estranho preso no esôfago, não é possível dirigir.

O fato de só por si ter um corpo estranho preso, mesmo que sem sintomas, causa nervosismo e distração, com o risco inerente de causar um acidente.

Devemos falar sobre isto com o paciente que costuma dirigir mastigando ou chupando objetos, de modo que, caso aconteça, não fique alarmado, ainda que o melhor conselho seja evitar dirigir com corpos estranhos na boca.

Nesta situação, o mais aconselhável consiste em manter a calma, estacionar o carro numa área segura e pedir ajuda para ser atendido por um médico.