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Hipoacusia aguda, doença de Ménière, labirintose, traumatismos do ouvido, otalgia e sua interferência na condução

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Hipoacusia aguda

É um sintoma que pode obedecer a causas extremamente diversas. As mais frequentes são uma síndrome de insuficiência vascular periférica, um quadro gripal ou viral prévio e a predisposição familiar.

Trata-se de um quadro clínico extremamente frequente e é uma verdadeira urgência médica.

A hipoacusia de percepção súbita pode surgir em qualquer parte do dia, com perda total e quase sempre unilateral ou parcial.

Pode ser acompanhada de zumbido intenso contínuo, ou moderado em outros casos, e são raras as vertigens e a instabilidade.

É frequente estar associada a fenômenos psíquicos e gerais de ansiedade, depressão, estresse, desgostos, etc.

Doença de Ménière

É causada pelo surgimento de crise de hipertensão do líquido endolinfático.

As alterações da audição e do equilíbrio correspondem ao distúrbio dos mecanismos que regulam a tensão dos líquidos labirínticos, por múltiplas causas que favorecem o fenômeno local.

A sintomatologia dá-se por crise que associa zumbidos, geralmente agudos, hipoacusia de percepção de intensidade variável e vertigens sistematizadas e de tipo periférico.

Podem existir sintomas associados, como náuseas, vômitos, cefaleias temporoparietais, sensações de calor, sudação, etc.

Labirintose

Trata-se de uma alteração não-inflamatória e atraumática, causada por degeneração progressiva das células sensoriais do labirinto.

É causada por intoxicação profissional ou medicamentosa, como os antibióticos aminoglicósidos, ou de causa endógena por hipercolesterolêemia, uremia, gota, etc.

Podem ser hereditárias, auto-imunes ou provocadas por um envelhecimento prematuro do organismo.

É muito frequente que esta patologia se dê por traumatismo sonoro devido ao excesso de ruído no trabalho.

O doente pode apresentar acufenos e, excepcionalmente, vertigens. Muitas vezes existe apenas uma hipoacusia progressiva bilateral de percepção por lesão do ouvido interno.

Traumatismos do ouvido médio e do ouvido interno

  • Traumatismo sonoro (a já comentada labirintose).
  • Lesões auriculares por variações de pressão: Podem surgir em aviadores, paraquedistas, escafandristas, trabalhadores em anteparos contra pressão, explosões ou contusões.

    A sintomatologia caracteriza-se por vertigens, desequilíbrio, acufenos agudos e hipoacusia súbita de percepção, com alguma participação da transmissão por edema do ouvido médio.

  • Fraturas do rochedo: Surgem com hipoacusia de transmissão e parcial ou total de percepção, paralisia facial, possíveis vertigens, náuseas e vômitos, etc.
  • Comoção labiríntica:Causada por todos os traumatismos do conteúdo das cavidades do ouvido interno, com ou sem fratura.

    Na comoção labiríntica verdadeira aparecem vertigens de tipo periférico, nistagmo de posição e hipoacusia de percepção.

    Na comoção cerebral com alterações vestibulares, o desequilíbrio é mais importante que as vertigens.

Otalgia

Não existe lesão no ouvido e dá-se por dores reflexas a partir de lesões dentárias, faríngeas, linguais, laríngeas, parotidianas e por dores nevrálgicas.

Causa irritação, cansaço e incômodo para a condução.

Conselhos sobre hipoacusia aguda

O doente deve ser tratado o quanto antes num pronto-socorro, para o qual não ele não pode ir dirigindo. O médico deverá avisá-lo de sucessivas recidivas, se houver.

Da mesma forma, o doente não poderá dirigir até à resolução completa do quadro clínico e, se apresentar sequelas, será necessário avaliar sua capacidade para a condução e informar sobre a mesma.

Conselhos sobre a Doença de Ménière

A ordem de surgimento dos sintomas é variável, dando lugar a diferentes formas clínicas mas que, em todos os casos, incapacitam a condução.

A possível sequela da hipoacusia no longo prazo requer a avaliação frequente da capacidade auditiva para permitir a obtenção ou renovação da carta de motorista nos termos indicados pela legislação.

Conselhos sobre labirintose

Nas empresas, os médicos devem vigiar e proteger as pessoas que trabalham em ambientes ruidosos, que os levam a perder a audição, aumentando, por este motivo, o risco da condução “in itinere”.

Do mesmo modo, aqueles que realizam seu trabalho em obras ruidosas, que dirigem veículos especiais também geradores de vibrações e ruídos específicos que se acrescentam ao ruído exterior, correm mais risco de provocar acidentes “no trabalho”.

Nos locais de trabalho, os médicos têm de lutar por conseguir ambientes sem ruído. Se isso não for possível, devemos proteger e isolar do ruído os trabalhadores mais vulneráveis, explicando as razões e agindo para consegui-lo. Por exemplo, insistindo na insonorização das cabinas de caminões e automóveis.

O doente pode apresentar acufenos e, excepcionalmente, vertigens, ainda que, muitas vezes, apenas se verifique a presença de hipoacusia progressiva bilateral de percepção por lesão do ouvido interno. Nos termos da legislação, é obrigatória uma avaliação repetida da capacidade auditiva para a obtenção ou renovação da carta de motorista.

Conselhos sobre traumatismos do ouvido médio e do ouvido interno

Durante o tratamento médico e até a resolução do quadro clínico não se pode dirigir.

Conselhos sobre fraturas do rochedo

São processos que incapacitam a condução até sua resolução por tratamento médico ou cirúrgico.

Suas sequelas podem ser importantes e requerem avaliação para permitir a condução.

Conselhos sobre comoção labiríntica

Tem uma recuperação extremamente longa, o que faz com que o ouvido debilitado tenha de ser avaliado ao longo do tempo para confirmar a sua capacidade adequada em termos de condução.

Conselhos sobre otalgia

É aconselhável avaliar o risco de condução nestes casos e avisar o doente.